quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Artigo V


     Este texto que irei colocar hoje, é na verdade um trabalho de filosofia que fiz. Neste trabalho eu tinha que falar sobre minhas próprias idéias, qual o meu papel no mundo,o sentido de estar vivo. Tentei dizer tudo neste pequeno texto. Espero que gostem!

Boa leitura e um abraço a todos que visitam!

Raphael Francis Nunes

**************

Cada pessoa é um universo, infinito. Eu não deixo de ser, como você também não deixa de ser. Me vejo como uma pessoa que saiu da realidade. Uma pessoa que pensa que conhecimento nunca é demais. Nunca é demais saber mais um pouco, sempre há alguma coisa que deixamos para trás, mesmo que sempre cuidando para não deixar. Há algum tempo deixei de ser o “ser” de dentro da caverna para me tornar mais um ignorante com uma lamparina em minhas mãos.

A cada dia que se passa, que aprendo um pouco mais disto que desconheço, me sinto me livre. Será que isto é liberdade? Liberdade seria conhecimento? Saber das coisas sem saber.

Creio eu que, o mundo é muito mais que isto. É o ser humano que se limita, que se ilude. Somos iludidos a todo momento por meio de televisão, radio, jornal, internet, sendo preso ai a uma cadeia de informação. Saber da verdade nos libertaria desta cegueira.  Eu tento não me limitar, tento ouvir, sentir as coisas ao meu redor. Ver e observar, tiro grandes lições apenas em observar. E para aprender isto, eu tive que ser um cego um dia.

Acredito no significado de cada palavra. De cada frase. Creio que toda a vez que escrevemos, exprimimos o que nossa alma quer dizer. Expressão da alma. E cada vez que escrevo tento colocar ao máximo aquilo que sou eu, passar um pouco de mim a cada leitor(a), afim de fazer sentir aquilo que sinto na hora da escrita. O que será que estas palavras significam a você amor, ódio, morte,vida, Deus, infinito? Acho que como um professor de filosofia deves ter já uma noção do peso de cada uma delas e de tantas outras. Cada uma com o seu peso. Cada uma com o seu valor individual. Os conflitos que tive, as idéias que se desenvolveram junto de pensamentos, me fazem ser uma pequena e quase invisível partícula que se voa com o vento. Mas isto não define que sou eu, define um pouco e muito pouco. Pequeno pedaço apenas. Pois é deste modo que me sinto quando penso no mundo aonde estou, no universo que se situa, nas coisas que ainda posso aprender.

Qual o meu papel no mundo? Parece ser uma pergunta tão simples de se responder, mas, analisando-a podemos saber logo que não é qualquer pergunta. Sabemos o papel de um médico, sabemos o papel de um ator, mas além disto ? você , sua pessoa? O que faz?

De cara responder esta pergunta eu não saberia. Não sei. Todo dia de manhã quando acordo para ir ao colégio, quando vou trabalhar, quando vou estudar alguma coisa, penso se assim vou descobrir a resposta. Procuro saber qual seria o meu papel. Penso depois que sentido faria se eu soubesse. Não posso saber, mas acho que posso sonhar com ele, ao menos deduzir. Mas acho que o papel que exerço deve ser importante, assim como das pessoas que passam pela minha vida. Independente do lugar que estejamos desde uma casa simples a uma casa moderna, uma simples caminhada ao ponto de ônibus. Não importa quem seja você, o papel que exerce é muito importante. A vida é comparada a um imenso quebra-cabeça, e cada pessoa faz parte deste imenso e infinito quebra-cabeça.

“Um quebra-cabeça muitas vezes irônico, triste, alegre, dramático, por entre outros.”

Mas ainda não respondi a pergunta, qual seria o meu papel no mundo? O único modo que vejo de responder esta pergunta, é por uma lição que aprendi até estes tempos atrás.

Estes dias estive pensando na importância do tempo em minha vida. Pois passava-se os minutos,horas,dias, observei que bastasse um piscar de olhos para se por fim a mais um dia. Analisei o quanto tempo eu já tinha perdido com coisas o qual não me ensinavam em nada e também não me levariam a lugar nenhum. Conclui que o tempo era um dos atributos mais maravilhosos que todos temos, mas que as vezes nem notamos ele. Quanto tempo perdemos para nos livrarmos de algo ruim, para dizer algo importante, hoje não sou mais aquela criança que nunca soube o que era o tempo. Não deixei de ser esta criança e também ainda não sei o que é tempo.
O que você fez hoje?
Será que teve algo que deveria fazer e não fez por algum motivo?
Engraçado é saber, que o tempo que você levou para ler este trabalho não irá recuperar. Convenhamos então, porque toquei no assunto “tempo” se a pergunta em foco seria outra? Ta bom eu explicarei.

É porque depois que eu pude compreender o que era “tempo”, eu pude compreender um pouco de qual seria o meu papel no mundo. O que será que estou fazendo bem ou mal? Confundindo? Aprendendo? Não sei, posso dizer que estou aprendendo. Que todo dia aprendo um pouco. Aproveitar o “tempo” que tenho disponível, este o qual parece ser invisível, mas que se ver bem o sentirá no ar. Por entre os seus dedos escorrendo, ao se olhar no espelho todas as manhãs. Em todo lugar, até nas aulas mesmas de filosofia. Sei que somos apenas consumidores de tempo, desde de nosso nascimento. E ainda quando criança, quando bebezinho, somos um dos maiores consumidores de tempo que já existiu, pois passam-se os anos, ficamos adultos e pensamos com nós mesmos “nossa como passou rápido”. Que meu papel seja ao menos estar fazendo bem a alguém além de minha família, além de meus amigos. Construo o meu futuro no “agora”, o “agora” seria cada segundo que se passa, e ele pode passar em algo que aprendi e repasso, por um sorriso tímido, por um aperto de mãos, por uma aula que assisto, com alguém especial ao qual eu doe um pouco deste “tempo” que tenho tão pouco, mas que divido e dou como um presente.

“O maior presente que se pode dar a uma pessoa é “tempo”.“

Qual o sentido de eu estar vivo?

Como disse anteriormente cada pessoa tem um papel  importante. Creio eu que, eu deva ser importante na vida de alguém, além da minha e de minha família. Este alguém pode ser alguém na rua, pode ser alguém do colégio entre outras. Acredito que nada seja por acaso, não estou dizendo isso porque estudo espiritismo, mas porque sempre pensei desta forma, o espiritismo foi apenas um complemento em minha vida. Não seria por acaso que eu estaria escrevendo estas palavras, que apenas é, nada mais, que palavras que são combinadas, umas as outras. Para tudo tem sua finalidade, assim como o lápis que fiz para fazer o rascunho. O sentido de minha vida, não sei, mas a cada dia compreendo ela e me esforço para estar sempre fazendo o meu melhor. Na vida de todo “ser humano” chega em certo ponto que nos indagamos, qual o sentido de tudo isto, de ficarmos aqui. Diante de tantas noticias ruins, terrorismo, guerras, e eu aqui trabalhando, estudando, repetindo-se assim a cada ciclo.
Espero estar fazendo sentido para as pessoas que entram em minha vida. Que eu possa estar ao menos ajudando em algum aspecto, em algum detalhe. Pois se caso nesta vida não existir realmente nenhum sentido, espero que ao menos na vida destas pessoas eu possa ter um pequeno espaço deste.

“cada pessoa é um imenso universo”

Não sei se consegui atingir o objetivo que o senhor propôs a nós, a cada aluno desta disciplina. Mas espero ao menos ter conseguido, pois pensei muito antes de escrever cada palavra neste trabalho. Pois quando penso em minha idéias, vejo elas como a libertação da alma. Pois quando penso a respeito destas idéias acho nada mais que magnífico. Quando penso em mim, me vejo como um viajante trilhando para o desconhecido mas tentando o entender. Quando penso em meu papel no mundo, penso que estou no local certo, na hora certa, e que tenho algo a fazer naquelas circunstâncias ao qual me encontro. E quando penso no sentido da vida, penso que possa estar fazendo parte importante na vida de cada pessoa ao meu redor, mesmo eu não a conhecendo. Tudo esta ligado ao todo.

Estas são algumas idéias ao qual tenho sobre as perguntas que me foram dadas, espero ao menos tentar ter-las respondido.

Um grande abraço e até o próximo trabalho.

Raphael Francis Nunes























“Se Deus é luz e conhecimento é luz, então Deus é conhecimento e conhecimento é Deus”

***



O menino

Um menino acorda na madrugada
e vai até a sua janela
o vento frio sopra dentro de seu quarto
invadindo o pequeno cômodo
dentro de seus olhos
é onde ele vive o seu sonho
é lá dentro que  esta
parecia tão real
enquanto ela estava por perto
não era ilusão
era real demais para ser ilusão

 Certo tempo se passou e a janela continuava aberta
deslumbrou-se pela primeira vez
com vastidão que  clareava a alma
a noite escura
era apenas um garoto de frente o universo

Tão pequeno e tão vasto
sentia já aquela sensação
era como as brumas do inverno
que choravam suas renúncias
tão vasto e tão pequeno
este é o universo
claro para quem vê de baixo
escuro para quem vê por cima

O frio continuava
a soprar naquele corpo pequeno
parecia voar para uma matéria sem vida
flutuando no nada
era um campo vasto de duvidas
Quem sou eu?
Onde estou?



Almas livres, corações livres, sem limites.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Retirado do livro "La Fontaine e o comportamento humano"


"VER AS COISAS TAIS COMO SÃO".

Auto-ilusão é o processo pelo qual enganamos a nós mesmos, passando a aceitar como verdadeiro ou válido o que é falso ou inválido; é não ver as coisas tais como são. Ela tem como raiz os preconceitos, desejos, insegurança, cobiça, exclusivismo e outros tantos fatores psicológicos que, inconscientemente, afetam o jeito de perceber a realidade.
 Hammed


O CACHORRO QUE TROCOU SUA PRESA PELO REFLEXO:

Se os que buscam ilusões forem chamados de loucos, os dementes então são milhões, e os sensatos, muito poucos.

Esopo exemplifica essa falta de nexo com a fábula do cão que trazia nos dentes uma presa, um bom bocado de carne. Debruçando-se sobre um barranco, ele viu, refletida na água, a imagem da própria presa, que ele acreditou ser outra ainda maior do que aquela que ele levava.
Iludido pela imagem, larga a presa e atira-se nas águas correntes em busca da "outra". Como o rio estava muito agitado, ele quase se afoga e, só com muito esforço e sofrimento, alcança a margem. Obviamente, sem a presa e sem o reflexo dela.
Quantos, como o cachorro, arriscam-se por uma ilusão!

VER AS COISAS TAIS COMO SÃO:
A paz e a lucidez começam no Íntimo. Já que vivemos num mundo conflituoso e agitado, devemos dedicar algum tempo para orar ou meditar, pois apenas assim encontraremos mais conciliação, concórdia e harmonia em nossa intimidade. Entregarmo-nos a longas e profundas reflexões é essencial para a nossa sanidade mental.

Quando estamos inquietos, desordenados e sem clareza interna, projetamos a agitação que sentimos para o mundo ao nosso derredor. Quando estamos serenos, podemos ver com mais lucidez e agir com capacidade e segurança, atingindo bons resultados nas decisões vivenciais.

A afobação diária não nos permite entrar em contato ativo com nosso "espaço sapiencial"; por isso, em nós não se estabelece ordem e muito menos lucidez na intimidade, onde, aliás, Jesus afirmou estar o "reino dos céus".

A quietude Íntima faz com que alcancemos o equilíbrio perfeito para mantermos adequadas relações com as pessoas que encontramos, ou para agirmos convenientemente diante das situações que se sucedem em nosso dia-a-dia. Sem a permanente deterioração causada por ilusões ou desajustes emocionais, teremos mais tempo para diferenciar os fatos das ocorrências ilusórias. Compensados, auto-responsáveis e serenos em nós mesmos, irradiaremos paz para todos aqueles que encontrarmos.

Conta uma antiga história persa que, em certa ocasião, um afortunado negociante buscou seu conselheiro espiritual. Sentia-se deprimido, atribulado, cheio de amargura, pois acreditava estar lucrando pouco com seu comércio.

"- Não sei o que está acontecendo comigo. Tenho tudo o que sempre quis, mas ainda quero mais e mais. Por isso me sinto infeliz.

O conselheiro, que era um homem sábio, olhou-o demoradamente, mas nada lhe disse. Tomou-o pelo braço e pediu que olhasse através dos vidros da janela e descrevesse o que via lá fora.

- Vejo árvores, casas, jardins, fontes, pessoas, crianças distraindo-se com brincadeiras.

O conselheiro então colocou o negociante diante de um espelho. - E agora o que você vê? - perguntou-lhe.
- Eu vejo a mim mesmo - respondeu ele.

E o sábio retrucou:
- Na verdade, o que agora você vê é seu reflexo no espelho. O vidro espelhado o impede de vislumbrar a realidade, que existe além da sua imagem. A ilusão assemelha-se a um espelho onde vemos unicamente a nós próprios. Em muitas circunstâncias, não enxergamos os fatos como eles são, mas, sim, como aparentam ser. Há muitas coisas que não nos deixam ver a realidade nem o que realmente somos: a ganância, o preconceito, o poder, as homenagens, a preocupação de ganharmos destaque, de nos considerarmos melhores do que os outros ... Será que seus negócios e sua desmedida ambição não lhe permitem ver a beleza da vida tal como ela é, com as criações e as criaturas de Deus, pois você apenas tem olhos para si mesmo?"
Assim termina o diálogo entre os dois homens.

Realmente, o espelho possui uma excelente relação de semelhança para conceituarmos a ilusão. A palavra "miragem" vem da palavra francesa "mirage", que significa "ser refletido". É um efeito óptico que ocorre em dias muito quentes, principalmente nos desertos, produzido pela reflexão da luz solar, que cria imagens semelhantes a lagos límpidos, onde por vezes se refletem árvores, plantas ou cidades longínquas.
Metaforicamente, podemos dizer que "miragem" é tudo aquilo que se apresenta como um fato ou evento verdadeiro, mas que, em verdade, é uma irrealidade, ilusão, alucinação, devaneio.

Na vida social, por ambição, "Quantos, como o cachorro, arriscam-se por uma ilusão!" E "Se os que buscam ilusões forem chamados de loucos, os dementes então são milhões, e os sensatos, muito poucos".
Auto-ilusão é o processo pelo qual enganamos a nós mesmos, passando a aceitar como verdadeiro ou válido o que é falso ou inválido; é não ver as coisas tais como são. Ela tem como raiz os preconceitos, desejos, insegurança, cobiça, exclusivismo e outros tantos fatores psicológicos que, inconscientemente, afetam o jeito de perceber a realidade.

Um exemplo clássico disso é quando pais e/ou cônjuges acreditam que o filho e/ou parceiro afetivo estão falando a verdade, mesmo quando as evidências provam claramente o contrário. Os indivíduos se auto-iludem porque querem sempre acreditar nos entes amados e desejam ansiosamente que estejam dizendo a verdade.

Paulo de Tarso escreveu aos Coríntios: " ... para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade". A Vida Providencial nos restabelece a saúde do corpo e da alma por meio do "espinho da desilusão" (II Coríntios, 12:7). Na verdade, a desilusão, em muitas ocasiões, é o recusro utilizado pela misericórdia Divina para nos afastar de pessoas e situações, a fim de que não nos afundemos ainda mais no poço do desequilíbrio.

Enquanto houver ilusão, há possibilidade de distorção da direção almejada ou desencaminhamento da jornada escolhida. Somente quando grande parte da ilusão já tenha cedido à verdade é que poderá haver estabilidade e segurança no caminho a ser percorrido.

Quando o Mestre disse a seus discípulos que deveriam colocar a luz no candelabro ("Traz-se porventura a candeia para ser colocada debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser posta no candeeiro?") (Marcos, 4:21), propunha a todos o serviço da superação do binômio ilusão-desilusão, a fim de que pudessem adquirir uma visão clara e profunda das numerosas relações de dependência entre a vida dentro e fora de nós mesmos.

Ir além dessa ilusão multimilenar que domina os homens é a prioridade da filosofia cristã. Se não atendermos a essa solicitação do Cristo, dificultaremos a marcha, convertendo a própria alma em cidadela de desenganos; seduzidos pelo leito da ilusão, viveremos períodos de confusão ou insânia mental.
Nesse círculo perverso, vive o indivíduo, de forma geral, sob o domínio do pseudo-afago da ignorância, enganando-se na vida terrena, para desenganar-se depois no além-túmulo; gastando várias encarnações, iniciando e reiniciando a meta que lhe cabe transpor, recusando a metafísica, isto é, tudo aquilo que transcende a natureza física das coisas.

O ato de saber quando agir e não-agir, aliado à prática da oração e/ou da meditação, não só oferece harmonia interior e vitalidade, como igualmente nos proporciona, com o correr do tempo, uma ampliação da própria consciência. Leva-nos à prática da verdadeira experiência pela paz e com a paz que tanto buscamos.

Não-agir é seguir a correnteza, em vez de ir contra ela. É uma excelente idéia: um indivíduo nada e chega à margem de um rio muito mais rápido quando, não resistindo ao fluxo da água, permanece tranqüilo e deixa-se conduzir pelas "mãos da natureza. Em outras palavras: confiando na Vida Providencial e moderando nossa pretensão de resolver todos os conflitos e dificuldades de forma puramente racional, poderemos encontrar equilíbrio e alegria sem uma vida desgastante de contínua luta contra forças reais ou ilusórias.

O culto à nossa intimidade deve ser praticado na sucessão de nossos dias como um potencial a ser desenvolvido para promover a clareza de idéias e de expressão, a percepção dos sentimentos e as emoções. Ela está aqui, em nós. Se quisermos, ela pode ser tão familiar quanto é familiar o sono, a respiração, os pensamentos mais estreitos.

CONCEITOS-CHAVE
A - AMBIÇÃO
Abrir a alma à ambição é fechá-la à serenidade, porquanto a ambição que se alimenta é peso inútil ao coração. Cultivá-la é o mesmo que guardar espinhos na própria intimidade. Diz o ditado popular: "Tudo falta a quem tudo quer". Em razão disso, o ganancioso não possui bens, mas é dominado por eles. A ambição produz mais insatisfeitos por não conquistarem as coisas, do que saciados com o que possuem. A cobiça não ouve a razão nem o bom senso; nela, o desejo ardente sempre reaparece quando já deveria ter acabado.

B - QUIETUDE ÍNTIMA
A reflexão e a prece proporcionam uma energia sutil em nossas experiências cotidianas. Nesse "estado interior", onde reina a tranqüilidade, o ser tem um encontro consigo mesmo, com sua mais pura essência - a alma. Criaturas distraídas entre os episódios do passado e os do presente turvam sua visão, julgando apressadamente as decisões alheias apenas por divergirem das suas. Como discernir tudo o que nos acontece sem usar o próprio sentido consciencial? É possível avaliar ou ponderar as coisas, utilizando a consciência alheia? É possível perceber a realidade, usando um coração que não nos pertence? Existem fatos emaranhados nos quais a quietude Íntima é o único remédio eficaz, porque cada um de nós encontra resposta de acordo com o silêncio que cultivou dentro de si mesmo.

C - NÃO-AGIR
Não significa prostração, ócio, morosidade, indolência, nem viver numa atmosfera do "esperar sentado ou mostrar uma disposição mínima para o trabalho". Essa filosofia de vida descreve uma prática de realizar ou buscar as coisas suavemente, obedecendo ao movimento contínuo de algo que segue um curso natural, sem utilizar ações bruscas e intrusivas. Por exemplo: se observamos a naturalidade e espontaneidade da vida, podemos tomar decisões utilizando a sutileza, em vez da força.

MORAL DA HISTÓRIA
Saber iludir-se bem é uma das muitas lições que recebemos na vida familiar. A título de exemplo, citamos os pais que sempre acreditam nos filhos, mesmo percebendo que suas afirmações são contraditórias ou vazias de verdade. Os pais iludem-se porque são afetados por desejos inconscientes de terem filhos fiéis e perfeitos. Adultos assim são incapazes de auscultar o próprio coração e utilizar a percepção e o discernimento. Em razão disso, familiares apontam defeitos de educação nos filhos alheios, mas demonstram ignorar os defeitos dos próprios filhos. Não obstante, é bom lembrar que a auto-ilusão pode não ser simplesmente uma espécie de desonestidade ou fraqueza moral. Muitas vezes, trata-se de uma questão de "cegueira cognitiva", processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio; ou mesmo de incompetência. Os que buscam ilusões acabam tendo muito sofrimento, pois, quando se deparam com a realidade, censuram-se e incriminam-se, às vezes por anos a fio.

REFLEXÕES SOBRE ESTA FÁBULA E O EVANGELHO:

"Os homens correm atrás dos bens terrestres como se os devessem guardar para sempre; mas aqui não há mais ilusão; eles se apercebem logo de que não agarraram senão uma sombra, e negligenciaram os únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que lhes são de proveito na morada celeste, os únicos que podem a ela lhes dar acesso." (ESE, cap. II, item 8, Boa Nova Editora)

" ... Nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele ... " (I Timóteo, 6:7.)

"NOSSAS AÇÕES SÃO COMO OS MOTES (PROVÉRBIOS): CADA UM ENTENDE COMO QUER."
 - LA ROCHEFOUCAULD

HAMMED



* Texto retirado do livro "La Fontaine e o comportamento humano".

Boa leitura

Raphael Francis Nunes

* almas livres, corações livres ... sem limites