quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Artigo X

 
     Fantasia (1)
Creio que este seja o primeiro de muitos sobre este tema, pois ele é muito extenso e longo, que chega quase ser infinito.

     Sempre digo as pessoas o quanto é importante fantasiar. Apesar de parecer algo infantil e passado para os dias de hoje, acredito que ainda seja de grande importância independentemente de idade. Pois conforme vamos crescendo alguns valores são deixados para trás e damos de cara com uma realidade crua e verdadeira, a qual nos faz perder a esperança no amanhã. Acredito fielmente que, como fantasiar e sonhar pode dar asas a quem sabe fazer isto tendo bom proveito e dedicação.

      Os loucos usam da fantasia para alimentar a sua realidade. Que dom maior teria mais o ser humano, do que sonhar e criar suas fantasias. Do mundo fantasioso é que nasce a realidade, são lugares inesquecíveis, objetos, histórias, pessoas que podem ser eu ou você. É sentir por entre os dedos o que é ser Deus numa vida que é tão limitada aos miseráveis e ricas aos mais humildes. E isto é o incrível que todos são capazes, são chamados, crianças, jovens, adultos, velhos, todos com alta capacidade a tal. Não existe quem não possa. Escrever é plantar os sonhos nas pessoas. Escrever é sabotar a ignorância e dar lugar a algo novo maravilhoso.


Os anos passam e com eles ficam as boas lembranças. Momentos de quando ainda erámos crianças, que fica nas prateleiras empoeiradas de nossa mente. Crescemos, ficamos adultos, damos de cara a uma realidade onde ela é o que é. Deixamos de sonhar e fantasiar, e quando deixamos isto de lado se torna o veneno que aos poucos, mata o ser humano. Crescemos e ansiamos por ser novamente uma crianças sem malicia e nem maldade. A criança tem o de mais valioso e precioso que se pode ter uma mente fértil. É o que se perde quando se tornamos adultos, devido a muitos afazeres, correria do dia-dia e os compromissos que aparecem um após o outro, isto vai se apagando aos poucos não desaparece ficando apenas escondida em algum lugar. As crianças tem uma facilidade muito maior de fantasiar. Talvez seja por isto que quando crescemos nos tocamos que éramos felizes e não sabia disto, pois, uma criança não sabe propriamente o que é ser feliz, pois a mesma por não saber, vive em sua intensidade a felicidade. 

*****

Espero que gostem deste pequeno texto. Estou com outros que estão prontos, que to fazendo apenas alguns retoques finais antes de posta-los.


Um abraço e uma ótima semana a todos os leitores.


Raphael F. Nunes

03/10/2012


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Artigo IX


Felicidade

Estava vendo uma situação inusitada, de uma pessoa que se dizia ser “infeliz” pelo fato de ser solteira e seus relacionamentos não darem certo. Sempre que encontrava alguém que lhe interessava, era casado, namorando, ou queria ter apenas um encontro casual e mais nada. Esta pessoa tinha um trabalho que até lhe dava uma graninha boa. Morava com a família, e tinha praticamente uma vida estabilizada. Nenhuma doença de ordem, crônica ou física... Uma pessoa saudável. Ela nunca esteve totalmente sozinha, já namorou alguns rapazes com os quais não dera certo. Paixões muitas vezes dizimadas pelo ciúme alheio de uma das partes ou até mesmo por que não era para ser. Quando algo (seja lá o que for) não é para ser, não adianta insistir, pois não é, e não adianta.

Então a pessoa, que se diz “infeliz” por se sentir solitária na área afetiva, começa a fazer uma busca desesperadora com o objetivo final de encontrar um companheiro (a), daí começa a grande odisséia. Entrar em sites de relacionamentos, em chats na internet, fórum, baladas, como se fosse caçadores (as). É quando você entra em uma sala de bate-papo, em qualquer provedor e vê aqueles nicknames do tipo, “procuro namorada (o)”, “sozinho (a)”, “quero uma companheira (o)”, entre outros ao qual não me recordo agora. E ficam lá o dia inteiro marcando encontros e mais encontros, falando do azar que tem, contando sobre as relações que já vivenciou, e muitas vezes no final, acabam dando em nada. Parece um mercado aonde você esta negociando com a outra pessoa um compromisso, um afeto, uma atenção, sem ao menos conhecer a outra pessoa. Não que seja impossível realmente encontrar uma pessoa interessante na internet, pode até acontecer, mas na minha opinião acho que das pessoas que você tecla em salas de chat afim de conseguir um relacionamento ou algo parecido, 25% para menos, dão em alguma coisa, e os restante 75% acabam não dando em nada. Resultam em encontros frustados onde a pessoa acaba levando um “bolo”(quando é marcado encontro e a pessoa não vai, deixando a outra esperando), ou se tornam apenas um encontro casual, ou acabou chegando lá e a pessoa não era nada daquilo que pensava que era. Ai você encontra com aquelas pessoas que vivem reclamando da vida, sempre reclamando quando algo dá errado, para este tipo de pessoa é como se mundo tivesse contra ela, pois tudo é do contra e sempre a mesma esta correta. Ela quer que os outros ofereçam o que ela quer, mas tem nada para oferecer. Até estes dias estava analisando os chats, entrei em uma sala de 20 a 30 anos, depois entrei em uma de 30 a 40, e depois em uma de 50 anos para cima, e em todas estas salas que entrei constatei ali pessoas que entram apenas para passar o tempo sem nenhum objetivo, só para passar o tempo e conversar mesmo, ai tem as pessoas que procuram aventuras, encontros casuais, e as pessoas que entram procurando um relacionamento sério. Não podemos dizer realmente uma idade exata das pessoas que procuram por algo na internet, pois se fossemos fazer, iríamos encontrar pessoas de todas as idades, deveríamos pensar mais um pouco na gente, pois o que esta sendo colocado em jogo ali é sua própria felicidade, a pessoa mais certa para construir a sua própria felicidade é você mesmo e ninguém mais. Ninguém vai chegar com um cartãozinho para você com um endereço, um telefone, um nome, e falar “olha se você for neste local lá você vai achar a felicidade”, ninguém vai te trazer uma fórmula mágica para você ser feliz, ninguém vai dizer qual é o preço para ser feliz. Tem muitas pessoas que dizem que seriam felizes se achassem um malote cheio de dinheiro, ou se ganhassem o prêmio máximo da mega-sena, estas pessoas são iludidas com coisas que não levarão para toda vida com coisas que se queimam com fogo, coisas que passados anos estará enferrujado, coisas que depois de um tempo você esquecerá porque o homem já inventou outros melhores.

Quem já foi a uma feira para comprar somente frutas e verduras. Acho que provavelmente todo mundo já foi pelo menos uma vez, com a mãe, ou com pai. Você sempre compra as frutas que estão com a aparência mais bonita, e sempre tem aquela fruta, aquela verdura, que esta meio que passando da validade, ai o vendedor para conseguir vender passa aqueles plásticos para dar uma aparência mais bonita e não parecer que esta passada, e claro sempre alguém acaba comprando. O cliente após chegar em sua casa, vai usar aquela fruta que ele comprou com o plástico para colocar em alguma receita ou consumir e quando vê, vai reparar que a fruta já esta passada e vai jogar fora ou vai cortar a parte que não pode aproveitar, mas algum fim ele vai dar aquilo. E claro vai tomar mais cuidado da próxima vez que for escolher alguma fruta, ou verdura. Ai tem aquela pessoa que sempre vai as “baladas” para tentar ver se encontra o príncipe encantado ou a princesa da sua vida. Chega lá naqueles bailões da vida, aonde não tem muita luz (é sempre meio escurinho) e lá começa a sua caçada, até encontrar a princesa da sua vida, e já puxa para dançar, depois de tomar umas cervejas, 15 minutos depois ou até menos, já estão no maior amasso, no maior pega-pega. O individuo pensa “ah finalmente Deus ouviu minhas preces, encontrei com a mulher da minha vida, ela é linda, simpática, loira, alta, tem os olhos azuis mais lindos que já vi, nossa, e que sorriso, demorou, mas esta noite eu encontrei (...)” e o sujeito pensando que se “arregou”, “que saiu na vantagem”, e também quem é que quer ficar em desvantagem? Todo mundo quer sair tirando ao menos uma casquinha. O homem mais feliz do mundo pega a sua donzela e já vão para os finalmente, é que hoje em dia é mais prático, nada é mais como antigamente, não existe a parte de se conhecer, de ir conversar com a família, já começa do final para o começo, e leva a sua casa, ou algum hotel, motel e passam uma noitada juntos. O sujeito acorda pela manhã e se depara com uma mulher totalmente diferente daquela da noite passada e tem um susto;

“mas quem é você?”,
“nós nos conhecemos ontem à noite no bailão”, mulher fala toda mole
“eu vou colocar minha dentadura aqui para falar melhor”;
“mas você era loira!”;
“ah, que eu estava de peruca ontem”;
“você tinha os olhos azuis!”;
“era minha lente de contato”;
“mas você era alta!”;
“que eu estava de bota com salto alto”
“ah, não é possível! Eu deveria estar muito bêbado a hora que resolvi ficar com você”;

O sujeito da estória acima comprou aquele pepino com a capa de plástico, o plástico da moça eram todos os objetos que disfarçavam dela mesma. E o rapaz quando chegou em casa viu que não era aquilo que havia comprado, independente se a mulher era uma pessoa boa ou má, os olhos deste sujeito viram somente a parte física, não que ele deveria mesmo ficar com ela, obrigatoriamente, mas se iludiu pela beleza. Quando nos iludimos pela beleza de um ser, é a mesma coisa de quando no iludismos por alguma coisa material, por exemplo; “se eu comprar um carro novo serei mais feliz”, então ali o rapaz não a viu como um ser humano e sim como um objeto.  Saiu correndo pensando que encontrara a felicidade, mas viu que não era exatamente aquilo que ele queria, é porque estava escura a “balada”, “o bailão”.




“Muitas vezes por nos faltar a paciência, saímos correndo e acabamos tropeçando na primeira pedra do caminho. Justamente por estarmos apressados não vemos o que esta no chão e ao nosso redor. O caminho é o certo, é só seguir reto. Quando você chegar ao final lá estará à felicidade lhe esperando. E tem pessoas que correm para tentarem chegar mais rápido, cansam, descansam, depois continuam sempre neste ciclo correr, correr para chegar ao final, às vezes acabam adoecendo antes de chegar ao final e mesmo assim não estavam nem próximos do fim do caminho, nem na metade, estavam é sim muito distante ainda. É quando acabam se tocando que a felicidade não estava no final da estrada, estava ali ao lado, pois estavam tão apressados que não viam a paisagem que estava ao redor, nunca pensavam o que aquele cenário muito rico em beleza guardava de bom. Em muitos momentos de nossa vida a felicidade esta do nosso lado, esta tão perto, que, de tão perto, acabamos vendo ela longe.”


      Antes de reclamar de algo que deu errado, devemos fazer uma analise do problema. Primeiro ver o porquê deu errado, aceitar que de algum modo acabamos falhando, pois se estivesse certo, teria dado certo. Se procuras por alguma coisa que não consegue de jeito nenhum, pense um pouco mais antes de culpar o mundo, ou ir bater na porta de Deus para reclamar da vida. Será que você esta procurando no lugar certo? Será que é este o local certo mesmo? Muitas vezes procuramos no lugar errado, o que é um grande erro! Nos mesmos somos os criadores de nossos problemas atuais, não espere que os outros tenham algo para oferecer para você, tenha algo para oferecer, algo que seja apenas seu e que ninguém mais poderá ter. A solução é tão simples que de tão simples não sabemos qual. E não apenas analisar-mos o problema, mas, analisar-mos a “nós” também é importante. Não devemos sempre querer, mas também merecer. Uma coisa, a qual considero muito mais importante além destes pequenos detalhes os quais descrevi aqui, é a paciência, a calma. Devemos aprender a ter paciência, aprender a ter calma, aprender a esperar o tempo agir, aprender a deixar o tempo curar as feridas (as quais lhe ferem a alma), pois quando conseguimos compreender o tempo, conseguimos tempo para refletir e pensar em todas estas coisas que hoje vos escrevo.

Espero que o texto acima, sirva de reflexão a quem precise.

Raphael F. Nunes

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Artigo VII


O ser e a dor
     Nem tudo na vida é do modo que a gente espera que seja. Os momentos bons vêem e acontecem nos deixando satisfeitos quanto da nossa existência. Com as fases boas acontecendo, pedimos todos os dias “que assim seja por muito tempo”, até que chega um dia; a mudança.

     Vejo que é muito comum as pessoas buscarem algum tipo de conforto, seja ele de qualquer origem.
     - Eu quero um emprego que possa pagar minhas contas, alimentação, sem ter ficar devendo nada para ninguém.
     Para algumas pessoas é cômodo ganhar “x” de salário por mês, mas não se dão conta que poderiam estar ganhando muito mais se o conforto não a tivesse cegando. Muitas vezes estão tão cegas que nem uma mudança é capaz de tirar a venda que lhe tapa os olhos. Claro, que não se aplica ao todo, justamente porque tem pessoas que não tem condições para um bom salário, mas e aquelas que têm capacidade, mas não usufruem?

     Quando a mudança ocorre, traz ao indivíduo muito desconforto que por efeito resulta em dor, revolta, entre outros sentimentos dependendo da situação em que se encontra. Seguida também da frustração daquilo que não havia programado para si. Com a dor se instalando interiormente no corpo físico e no psíquico, as lembranças vêm à tona vivenciando e levando o indivíduo a um estado de perturbação e o difícil esquecimento. Logo a dor se transforma em escuridão, é uma fase escura do individuo que ele mesmo cria.
     E quantas vezes o ser humano não ficou em completa escuridão?
     A dor que nos deixa em escuridão total, é a mesma que disciplina a pessoa, tanto no sentido de caráter, quanto no espiritual.
     Se a dor nos disciplina, porque passamos tanto tempo com ela na escuridão que nós próprios criamos?
     Dependendo de como encaramos cada situação, alcançamos a luz do ser em uma base de tempo menor que o previsto*. Quando saímos desta sintonia, se consegue enxergar com bastante clareza o tempo perdido.

     Passam-se meses e meses, relembrando por exemplo de uma amor mau-sucedido. Enquanto reclamamos, pensando no acontecido, as oportunidades vão passando. Um emprego que não deu certo, o chefe que nos demitiu injustamente. Ficamos tempos e tempos focados apenas naquilo que nos fez sentir mal. Até que certo dia, decidimos crescer um pouco e esquecer, e levar adiante este imenso cenário da vida. Recomeçamos tudo outra vez, um novo namoro, conseguimos um novo emprego, e tudo parece que vai dando certo. Acabamos sendo mais cautelosos, tanto conosco quanto com os outros ao redor. Quando vamos ao ponto do recomeço, a venda que antes cegava paira no ar, e assim enxergamos qual foi o erro que culminou na falha passada. Passa-se a um estágio mais seguro de si mesmo, até a próxima mudança.
     Pensa-se da seguinte forma:
     “Meu Deus! Quanto tempo eu perdi!”
                   Ou
     “Eu poderia ter sido feliz mais cedo, senão deixasse a cegueira tomar conta completamente de mim.”

     *Muitas vezes imaginamos que a dor não irá cessar, ou mesmo damos uma previsão de quando irá acabar. Como se fosse possível programar sentimentos, sentimento é algo o qual não se programa, não se vigia. A surpresa vem, quando descobrimos que o tempo é muito menor daquele que tínhamos imaginado para o fim do sofrimento.

     Quem será que teria mais êxito na presidência de uma empresa? Um rapaz que foi herdeiro de seu pai e por isto ganhou a empresa de mão beijada sendo assim o dono e presidente, ou um homem não importando idade, que trabalhou muitos anos, que já demitido devido algum resultado ruim, ou que já foi promovido e rebaixado de cargo, mas que nunca parou de trabalhar, nunca desistiu. Sendo assim presidente por merecimento e luta. Qual dos dois?
     O segundo homem. Devido suas lutas, vitórias e derrotas. Somente quando passamos por certas situações aprendemos a lhe dar com elas. Somente a teoria não irá nos ensinar, mas sim a sua prática. Um rapaz que nunca soube lidar com uma baixa, uma crise no mercado, não saberia como agir em uma situação destas, enquanto o rapaz que já tenha passado por situações parecidas se sairia melhor.
     Muitas vezes (quase sempre) aprendemos pela dor (parece um pouco sadomasoquismo, mas se pensarmos bem não é). Aprendemos desde pequenos que se cairmos da bicicleta irá nos machucar, apenas depois que caímos que processamos a informação completamente. Pois antes de cair, criamos uma autoconfiança, uma ilusão de que nunca vai acontecer com nós. Não pensamos que somos iguais e por assim, propensos a mesma queda.
     Pensa-se da seguinte forma:
     “Estas coisas só acontecem com o vizinho”, sem ao menos pensar que o vizinho do nosso vizinho é nós. (Divaldo Pereira Franco)
     A dor é o remédio amargo que leva a cura para a alma. O “ser” que fere seu orgulho uma vez, irá pensar, repensar bem para não o feri-lo novamente. Pois somente aquele que sente a dor sabe o que sente. E não por falarmos:
     - Eu sofri tanto! Senti tanta dor!
     Que iremos saber, sentir o que o outro sentiu.
     Quanto mais o grau entendimento (não é igual o conformismo) de uma pessoa, ela passará menos tempo em sua escuridão.
     Chega-se às vezes até pensar que o tempo parou, quando somos nós que paramos. Enquanto paralisamos nossas atividades, as horas e os dias não param. O que nos leva a pensar desta maneira é também nosso egoísmo. Pelo fato de pensar que somente existe a nossa dor. Sem a consciência que há e existem dores muitos maiores. E um dia acordamos e reclamamos do tempo que não se recupera mais. Lembrando que não existe tempo perdido, o tempo que se foi, é o mesmo que molda, calcula e recalcula as atitudes a tomar, cria valores morais, faz o “ser” a sua importância real.
     Nunca se deve desistir, se caímos uma vez é que a estratégia que usamos não é a certa. É a partir deste ponto que devemos parar para arquitetar uma nova, plano b. Muitas pessoas poderiam estar hoje em uma posição melhor da que estão, isto se não fosse a preguiça de pensar em uma nova estratégia, mudar as regras e por em prática sem medo de cair e com a cabeça erguida para as provas que a vida impõe. A tênue linha entre sucesso e fracasso esta em uma corda chamada tentar. E devemos manter o equilíbrio para sabermos ganhar, saber lhe dar com a vitória e a maturidade para saber encarar a uma perda.

Muita Paz!

Raphael Francis Nunes

Frases soltas
Alguns pequenos pensamentos por hora e de momento 

A vida como um todo, é um imenso quebra-cabeça. Cada peça deste quebra-cabeça são feitas de momentos. E quando chegamos ao final da vida, todas as peças se juntam formando uma imagem única. Existem pessoas que não conseguiram montar este imenso e quase infinito quebra-cabeça. A imagem que se forma depois de montada, dependerá de como você observava, ouvia, sentia, e dizia que era a vida, céu ou inferno? Paraíso ou tormento?

"Então,
Então você acha que consegue distinguir
O paraíso do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?"      Pink Floyd(Wish you were here)







quinta-feira, 22 de março de 2012

De Luis Fernando Veríssimo


PSICANÁLISE 


Crônica da Loucura - Luis Fernando Veríssimo


A melhor Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.

Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos,corintianos ou palmeirenses.

Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal  lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu
2. Um crioulinho muito bem vestido ,
3. Um senhor de uns cinqüenta anos e
4. Uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime.Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala . Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos, também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assuou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não.Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava na quinta dezena em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.

Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.

Ele ri... Ri muito, o meu psicanalista, e diz:

- O Ditinho é o nosso office-boy.

- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.

- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.

-"E você, não vai ter alta tão cedo...."

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Boa leitura a todos e um abraço aos visitantes.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

OSHO


O garoto e o dragão (Coragem)

Olá a todos os visitantes. Faz um um tempo que não posto nada devido a correria do dia-a-dia. As idéias nunca param de fluir, são centenas, até milhares de pensamentos que me vem a cabeça para escrever. Tanto que to começando a andar com um pequeno bloco de notas para não perder nenhuma delas. Neste post de hoje deixarei com vocês um texto que peguei em um centro espirita que vou, e achei de grande importância compartilhar com vocês.

Espero que gostem do mensagem.

Um abraço com muito carinho a todos........ Raphael Francis Nunes

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O CAMINHO DO CORAÇÃO (OSHO E O AMOR)

A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem, É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo - mas aí jã estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentara o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para entrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula - ela é astuta. O coração nunca calcula nada, (...)

O que á a mente? Ê tudo o que você conhece. É o passado, o que está morto, o que já foi. A mente não é nada mais do que o passado acumulado, a memória. O coração é o futuro; o coração é sempre a esperança, o coração é sempre algum lugar no futuro. A cabeça pensa no passado; o coração sonha como futuro.

O futuro ainda está por vir. O futuro ainda está por ser, O futuro ainda é uma possibilidade - ele virá, está pronto para vir. A todo instante, o futuro está se tornando presente e o presente se tornando passado. O passado não tem nenhuma possibilidade, você já se serviu dele - ele está esgotado, é uma coisa morta, é como um túmulo. O futuro é como uma semente; está vindo, sempre vindo, sempre alcançando e encontrando o presente. Você está sempre em movimento. O presente não é nada mais do que movimento em direçâo ao futuro. É o passo que você já deu; é avançar em direcào ao futuro, [Osho:Coragem, p.l6 e 17].

Lembre-se de uma coisa: a mente costuma interferir e não dá ao amor seu infinito e seu espaço. Se você realmente ama uma pessoa, dá a ela espaço infinito. Seu próprio ser é só um espaço para ela crescer e com o qual crescer. A mente interfere e tenta possuir a pessoa, então o amor é destruído. A mente é muito gananciosa - a mente é ganância. A mente é muito venenosa. Portanto, se alguém quer entrar no mundo do amor, tem de deixar a mente de lado. Tem que viver sem a interferência da mente. A mente é útil quando está no seu devido lugar, ela é necessária no supermercado; não no amor. E necessária quando você está preparando o seu orçamento, mas não quando está circulando no seu espaço interior. É necessária na matemática; não na meditação. Portanto, a mente tem sua utilidade, mas essa utilidade é simplesmente irrelevante. Então seja cada vez mais amoroso... Incondicionalmente amoroso. Seja amor. Seja uma abertura - seja só amor.

Quanto mais destemida for a pessoa, menos ela usará a mente. Quanto mais medo ela tiver, mais usará a mente. [Osho:Coragem, p.90]

Ótima semana a todos!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Artigo V


     Este texto que irei colocar hoje, é na verdade um trabalho de filosofia que fiz. Neste trabalho eu tinha que falar sobre minhas próprias idéias, qual o meu papel no mundo,o sentido de estar vivo. Tentei dizer tudo neste pequeno texto. Espero que gostem!

Boa leitura e um abraço a todos que visitam!

Raphael Francis Nunes

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Cada pessoa é um universo, infinito. Eu não deixo de ser, como você também não deixa de ser. Me vejo como uma pessoa que saiu da realidade. Uma pessoa que pensa que conhecimento nunca é demais. Nunca é demais saber mais um pouco, sempre há alguma coisa que deixamos para trás, mesmo que sempre cuidando para não deixar. Há algum tempo deixei de ser o “ser” de dentro da caverna para me tornar mais um ignorante com uma lamparina em minhas mãos.

A cada dia que se passa, que aprendo um pouco mais disto que desconheço, me sinto me livre. Será que isto é liberdade? Liberdade seria conhecimento? Saber das coisas sem saber.

Creio eu que, o mundo é muito mais que isto. É o ser humano que se limita, que se ilude. Somos iludidos a todo momento por meio de televisão, radio, jornal, internet, sendo preso ai a uma cadeia de informação. Saber da verdade nos libertaria desta cegueira.  Eu tento não me limitar, tento ouvir, sentir as coisas ao meu redor. Ver e observar, tiro grandes lições apenas em observar. E para aprender isto, eu tive que ser um cego um dia.

Acredito no significado de cada palavra. De cada frase. Creio que toda a vez que escrevemos, exprimimos o que nossa alma quer dizer. Expressão da alma. E cada vez que escrevo tento colocar ao máximo aquilo que sou eu, passar um pouco de mim a cada leitor(a), afim de fazer sentir aquilo que sinto na hora da escrita. O que será que estas palavras significam a você amor, ódio, morte,vida, Deus, infinito? Acho que como um professor de filosofia deves ter já uma noção do peso de cada uma delas e de tantas outras. Cada uma com o seu peso. Cada uma com o seu valor individual. Os conflitos que tive, as idéias que se desenvolveram junto de pensamentos, me fazem ser uma pequena e quase invisível partícula que se voa com o vento. Mas isto não define que sou eu, define um pouco e muito pouco. Pequeno pedaço apenas. Pois é deste modo que me sinto quando penso no mundo aonde estou, no universo que se situa, nas coisas que ainda posso aprender.

Qual o meu papel no mundo? Parece ser uma pergunta tão simples de se responder, mas, analisando-a podemos saber logo que não é qualquer pergunta. Sabemos o papel de um médico, sabemos o papel de um ator, mas além disto ? você , sua pessoa? O que faz?

De cara responder esta pergunta eu não saberia. Não sei. Todo dia de manhã quando acordo para ir ao colégio, quando vou trabalhar, quando vou estudar alguma coisa, penso se assim vou descobrir a resposta. Procuro saber qual seria o meu papel. Penso depois que sentido faria se eu soubesse. Não posso saber, mas acho que posso sonhar com ele, ao menos deduzir. Mas acho que o papel que exerço deve ser importante, assim como das pessoas que passam pela minha vida. Independente do lugar que estejamos desde uma casa simples a uma casa moderna, uma simples caminhada ao ponto de ônibus. Não importa quem seja você, o papel que exerce é muito importante. A vida é comparada a um imenso quebra-cabeça, e cada pessoa faz parte deste imenso e infinito quebra-cabeça.

“Um quebra-cabeça muitas vezes irônico, triste, alegre, dramático, por entre outros.”

Mas ainda não respondi a pergunta, qual seria o meu papel no mundo? O único modo que vejo de responder esta pergunta, é por uma lição que aprendi até estes tempos atrás.

Estes dias estive pensando na importância do tempo em minha vida. Pois passava-se os minutos,horas,dias, observei que bastasse um piscar de olhos para se por fim a mais um dia. Analisei o quanto tempo eu já tinha perdido com coisas o qual não me ensinavam em nada e também não me levariam a lugar nenhum. Conclui que o tempo era um dos atributos mais maravilhosos que todos temos, mas que as vezes nem notamos ele. Quanto tempo perdemos para nos livrarmos de algo ruim, para dizer algo importante, hoje não sou mais aquela criança que nunca soube o que era o tempo. Não deixei de ser esta criança e também ainda não sei o que é tempo.
O que você fez hoje?
Será que teve algo que deveria fazer e não fez por algum motivo?
Engraçado é saber, que o tempo que você levou para ler este trabalho não irá recuperar. Convenhamos então, porque toquei no assunto “tempo” se a pergunta em foco seria outra? Ta bom eu explicarei.

É porque depois que eu pude compreender o que era “tempo”, eu pude compreender um pouco de qual seria o meu papel no mundo. O que será que estou fazendo bem ou mal? Confundindo? Aprendendo? Não sei, posso dizer que estou aprendendo. Que todo dia aprendo um pouco. Aproveitar o “tempo” que tenho disponível, este o qual parece ser invisível, mas que se ver bem o sentirá no ar. Por entre os seus dedos escorrendo, ao se olhar no espelho todas as manhãs. Em todo lugar, até nas aulas mesmas de filosofia. Sei que somos apenas consumidores de tempo, desde de nosso nascimento. E ainda quando criança, quando bebezinho, somos um dos maiores consumidores de tempo que já existiu, pois passam-se os anos, ficamos adultos e pensamos com nós mesmos “nossa como passou rápido”. Que meu papel seja ao menos estar fazendo bem a alguém além de minha família, além de meus amigos. Construo o meu futuro no “agora”, o “agora” seria cada segundo que se passa, e ele pode passar em algo que aprendi e repasso, por um sorriso tímido, por um aperto de mãos, por uma aula que assisto, com alguém especial ao qual eu doe um pouco deste “tempo” que tenho tão pouco, mas que divido e dou como um presente.

“O maior presente que se pode dar a uma pessoa é “tempo”.“

Qual o sentido de eu estar vivo?

Como disse anteriormente cada pessoa tem um papel  importante. Creio eu que, eu deva ser importante na vida de alguém, além da minha e de minha família. Este alguém pode ser alguém na rua, pode ser alguém do colégio entre outras. Acredito que nada seja por acaso, não estou dizendo isso porque estudo espiritismo, mas porque sempre pensei desta forma, o espiritismo foi apenas um complemento em minha vida. Não seria por acaso que eu estaria escrevendo estas palavras, que apenas é, nada mais, que palavras que são combinadas, umas as outras. Para tudo tem sua finalidade, assim como o lápis que fiz para fazer o rascunho. O sentido de minha vida, não sei, mas a cada dia compreendo ela e me esforço para estar sempre fazendo o meu melhor. Na vida de todo “ser humano” chega em certo ponto que nos indagamos, qual o sentido de tudo isto, de ficarmos aqui. Diante de tantas noticias ruins, terrorismo, guerras, e eu aqui trabalhando, estudando, repetindo-se assim a cada ciclo.
Espero estar fazendo sentido para as pessoas que entram em minha vida. Que eu possa estar ao menos ajudando em algum aspecto, em algum detalhe. Pois se caso nesta vida não existir realmente nenhum sentido, espero que ao menos na vida destas pessoas eu possa ter um pequeno espaço deste.

“cada pessoa é um imenso universo”

Não sei se consegui atingir o objetivo que o senhor propôs a nós, a cada aluno desta disciplina. Mas espero ao menos ter conseguido, pois pensei muito antes de escrever cada palavra neste trabalho. Pois quando penso em minha idéias, vejo elas como a libertação da alma. Pois quando penso a respeito destas idéias acho nada mais que magnífico. Quando penso em mim, me vejo como um viajante trilhando para o desconhecido mas tentando o entender. Quando penso em meu papel no mundo, penso que estou no local certo, na hora certa, e que tenho algo a fazer naquelas circunstâncias ao qual me encontro. E quando penso no sentido da vida, penso que possa estar fazendo parte importante na vida de cada pessoa ao meu redor, mesmo eu não a conhecendo. Tudo esta ligado ao todo.

Estas são algumas idéias ao qual tenho sobre as perguntas que me foram dadas, espero ao menos tentar ter-las respondido.

Um grande abraço e até o próximo trabalho.

Raphael Francis Nunes























“Se Deus é luz e conhecimento é luz, então Deus é conhecimento e conhecimento é Deus”

***



O menino

Um menino acorda na madrugada
e vai até a sua janela
o vento frio sopra dentro de seu quarto
invadindo o pequeno cômodo
dentro de seus olhos
é onde ele vive o seu sonho
é lá dentro que  esta
parecia tão real
enquanto ela estava por perto
não era ilusão
era real demais para ser ilusão

 Certo tempo se passou e a janela continuava aberta
deslumbrou-se pela primeira vez
com vastidão que  clareava a alma
a noite escura
era apenas um garoto de frente o universo

Tão pequeno e tão vasto
sentia já aquela sensação
era como as brumas do inverno
que choravam suas renúncias
tão vasto e tão pequeno
este é o universo
claro para quem vê de baixo
escuro para quem vê por cima

O frio continuava
a soprar naquele corpo pequeno
parecia voar para uma matéria sem vida
flutuando no nada
era um campo vasto de duvidas
Quem sou eu?
Onde estou?



Almas livres, corações livres, sem limites.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Retirado do livro "La Fontaine e o comportamento humano"


"VER AS COISAS TAIS COMO SÃO".

Auto-ilusão é o processo pelo qual enganamos a nós mesmos, passando a aceitar como verdadeiro ou válido o que é falso ou inválido; é não ver as coisas tais como são. Ela tem como raiz os preconceitos, desejos, insegurança, cobiça, exclusivismo e outros tantos fatores psicológicos que, inconscientemente, afetam o jeito de perceber a realidade.
 Hammed


O CACHORRO QUE TROCOU SUA PRESA PELO REFLEXO:

Se os que buscam ilusões forem chamados de loucos, os dementes então são milhões, e os sensatos, muito poucos.

Esopo exemplifica essa falta de nexo com a fábula do cão que trazia nos dentes uma presa, um bom bocado de carne. Debruçando-se sobre um barranco, ele viu, refletida na água, a imagem da própria presa, que ele acreditou ser outra ainda maior do que aquela que ele levava.
Iludido pela imagem, larga a presa e atira-se nas águas correntes em busca da "outra". Como o rio estava muito agitado, ele quase se afoga e, só com muito esforço e sofrimento, alcança a margem. Obviamente, sem a presa e sem o reflexo dela.
Quantos, como o cachorro, arriscam-se por uma ilusão!

VER AS COISAS TAIS COMO SÃO:
A paz e a lucidez começam no Íntimo. Já que vivemos num mundo conflituoso e agitado, devemos dedicar algum tempo para orar ou meditar, pois apenas assim encontraremos mais conciliação, concórdia e harmonia em nossa intimidade. Entregarmo-nos a longas e profundas reflexões é essencial para a nossa sanidade mental.

Quando estamos inquietos, desordenados e sem clareza interna, projetamos a agitação que sentimos para o mundo ao nosso derredor. Quando estamos serenos, podemos ver com mais lucidez e agir com capacidade e segurança, atingindo bons resultados nas decisões vivenciais.

A afobação diária não nos permite entrar em contato ativo com nosso "espaço sapiencial"; por isso, em nós não se estabelece ordem e muito menos lucidez na intimidade, onde, aliás, Jesus afirmou estar o "reino dos céus".

A quietude Íntima faz com que alcancemos o equilíbrio perfeito para mantermos adequadas relações com as pessoas que encontramos, ou para agirmos convenientemente diante das situações que se sucedem em nosso dia-a-dia. Sem a permanente deterioração causada por ilusões ou desajustes emocionais, teremos mais tempo para diferenciar os fatos das ocorrências ilusórias. Compensados, auto-responsáveis e serenos em nós mesmos, irradiaremos paz para todos aqueles que encontrarmos.

Conta uma antiga história persa que, em certa ocasião, um afortunado negociante buscou seu conselheiro espiritual. Sentia-se deprimido, atribulado, cheio de amargura, pois acreditava estar lucrando pouco com seu comércio.

"- Não sei o que está acontecendo comigo. Tenho tudo o que sempre quis, mas ainda quero mais e mais. Por isso me sinto infeliz.

O conselheiro, que era um homem sábio, olhou-o demoradamente, mas nada lhe disse. Tomou-o pelo braço e pediu que olhasse através dos vidros da janela e descrevesse o que via lá fora.

- Vejo árvores, casas, jardins, fontes, pessoas, crianças distraindo-se com brincadeiras.

O conselheiro então colocou o negociante diante de um espelho. - E agora o que você vê? - perguntou-lhe.
- Eu vejo a mim mesmo - respondeu ele.

E o sábio retrucou:
- Na verdade, o que agora você vê é seu reflexo no espelho. O vidro espelhado o impede de vislumbrar a realidade, que existe além da sua imagem. A ilusão assemelha-se a um espelho onde vemos unicamente a nós próprios. Em muitas circunstâncias, não enxergamos os fatos como eles são, mas, sim, como aparentam ser. Há muitas coisas que não nos deixam ver a realidade nem o que realmente somos: a ganância, o preconceito, o poder, as homenagens, a preocupação de ganharmos destaque, de nos considerarmos melhores do que os outros ... Será que seus negócios e sua desmedida ambição não lhe permitem ver a beleza da vida tal como ela é, com as criações e as criaturas de Deus, pois você apenas tem olhos para si mesmo?"
Assim termina o diálogo entre os dois homens.

Realmente, o espelho possui uma excelente relação de semelhança para conceituarmos a ilusão. A palavra "miragem" vem da palavra francesa "mirage", que significa "ser refletido". É um efeito óptico que ocorre em dias muito quentes, principalmente nos desertos, produzido pela reflexão da luz solar, que cria imagens semelhantes a lagos límpidos, onde por vezes se refletem árvores, plantas ou cidades longínquas.
Metaforicamente, podemos dizer que "miragem" é tudo aquilo que se apresenta como um fato ou evento verdadeiro, mas que, em verdade, é uma irrealidade, ilusão, alucinação, devaneio.

Na vida social, por ambição, "Quantos, como o cachorro, arriscam-se por uma ilusão!" E "Se os que buscam ilusões forem chamados de loucos, os dementes então são milhões, e os sensatos, muito poucos".
Auto-ilusão é o processo pelo qual enganamos a nós mesmos, passando a aceitar como verdadeiro ou válido o que é falso ou inválido; é não ver as coisas tais como são. Ela tem como raiz os preconceitos, desejos, insegurança, cobiça, exclusivismo e outros tantos fatores psicológicos que, inconscientemente, afetam o jeito de perceber a realidade.

Um exemplo clássico disso é quando pais e/ou cônjuges acreditam que o filho e/ou parceiro afetivo estão falando a verdade, mesmo quando as evidências provam claramente o contrário. Os indivíduos se auto-iludem porque querem sempre acreditar nos entes amados e desejam ansiosamente que estejam dizendo a verdade.

Paulo de Tarso escreveu aos Coríntios: " ... para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade". A Vida Providencial nos restabelece a saúde do corpo e da alma por meio do "espinho da desilusão" (II Coríntios, 12:7). Na verdade, a desilusão, em muitas ocasiões, é o recusro utilizado pela misericórdia Divina para nos afastar de pessoas e situações, a fim de que não nos afundemos ainda mais no poço do desequilíbrio.

Enquanto houver ilusão, há possibilidade de distorção da direção almejada ou desencaminhamento da jornada escolhida. Somente quando grande parte da ilusão já tenha cedido à verdade é que poderá haver estabilidade e segurança no caminho a ser percorrido.

Quando o Mestre disse a seus discípulos que deveriam colocar a luz no candelabro ("Traz-se porventura a candeia para ser colocada debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser posta no candeeiro?") (Marcos, 4:21), propunha a todos o serviço da superação do binômio ilusão-desilusão, a fim de que pudessem adquirir uma visão clara e profunda das numerosas relações de dependência entre a vida dentro e fora de nós mesmos.

Ir além dessa ilusão multimilenar que domina os homens é a prioridade da filosofia cristã. Se não atendermos a essa solicitação do Cristo, dificultaremos a marcha, convertendo a própria alma em cidadela de desenganos; seduzidos pelo leito da ilusão, viveremos períodos de confusão ou insânia mental.
Nesse círculo perverso, vive o indivíduo, de forma geral, sob o domínio do pseudo-afago da ignorância, enganando-se na vida terrena, para desenganar-se depois no além-túmulo; gastando várias encarnações, iniciando e reiniciando a meta que lhe cabe transpor, recusando a metafísica, isto é, tudo aquilo que transcende a natureza física das coisas.

O ato de saber quando agir e não-agir, aliado à prática da oração e/ou da meditação, não só oferece harmonia interior e vitalidade, como igualmente nos proporciona, com o correr do tempo, uma ampliação da própria consciência. Leva-nos à prática da verdadeira experiência pela paz e com a paz que tanto buscamos.

Não-agir é seguir a correnteza, em vez de ir contra ela. É uma excelente idéia: um indivíduo nada e chega à margem de um rio muito mais rápido quando, não resistindo ao fluxo da água, permanece tranqüilo e deixa-se conduzir pelas "mãos da natureza. Em outras palavras: confiando na Vida Providencial e moderando nossa pretensão de resolver todos os conflitos e dificuldades de forma puramente racional, poderemos encontrar equilíbrio e alegria sem uma vida desgastante de contínua luta contra forças reais ou ilusórias.

O culto à nossa intimidade deve ser praticado na sucessão de nossos dias como um potencial a ser desenvolvido para promover a clareza de idéias e de expressão, a percepção dos sentimentos e as emoções. Ela está aqui, em nós. Se quisermos, ela pode ser tão familiar quanto é familiar o sono, a respiração, os pensamentos mais estreitos.

CONCEITOS-CHAVE
A - AMBIÇÃO
Abrir a alma à ambição é fechá-la à serenidade, porquanto a ambição que se alimenta é peso inútil ao coração. Cultivá-la é o mesmo que guardar espinhos na própria intimidade. Diz o ditado popular: "Tudo falta a quem tudo quer". Em razão disso, o ganancioso não possui bens, mas é dominado por eles. A ambição produz mais insatisfeitos por não conquistarem as coisas, do que saciados com o que possuem. A cobiça não ouve a razão nem o bom senso; nela, o desejo ardente sempre reaparece quando já deveria ter acabado.

B - QUIETUDE ÍNTIMA
A reflexão e a prece proporcionam uma energia sutil em nossas experiências cotidianas. Nesse "estado interior", onde reina a tranqüilidade, o ser tem um encontro consigo mesmo, com sua mais pura essência - a alma. Criaturas distraídas entre os episódios do passado e os do presente turvam sua visão, julgando apressadamente as decisões alheias apenas por divergirem das suas. Como discernir tudo o que nos acontece sem usar o próprio sentido consciencial? É possível avaliar ou ponderar as coisas, utilizando a consciência alheia? É possível perceber a realidade, usando um coração que não nos pertence? Existem fatos emaranhados nos quais a quietude Íntima é o único remédio eficaz, porque cada um de nós encontra resposta de acordo com o silêncio que cultivou dentro de si mesmo.

C - NÃO-AGIR
Não significa prostração, ócio, morosidade, indolência, nem viver numa atmosfera do "esperar sentado ou mostrar uma disposição mínima para o trabalho". Essa filosofia de vida descreve uma prática de realizar ou buscar as coisas suavemente, obedecendo ao movimento contínuo de algo que segue um curso natural, sem utilizar ações bruscas e intrusivas. Por exemplo: se observamos a naturalidade e espontaneidade da vida, podemos tomar decisões utilizando a sutileza, em vez da força.

MORAL DA HISTÓRIA
Saber iludir-se bem é uma das muitas lições que recebemos na vida familiar. A título de exemplo, citamos os pais que sempre acreditam nos filhos, mesmo percebendo que suas afirmações são contraditórias ou vazias de verdade. Os pais iludem-se porque são afetados por desejos inconscientes de terem filhos fiéis e perfeitos. Adultos assim são incapazes de auscultar o próprio coração e utilizar a percepção e o discernimento. Em razão disso, familiares apontam defeitos de educação nos filhos alheios, mas demonstram ignorar os defeitos dos próprios filhos. Não obstante, é bom lembrar que a auto-ilusão pode não ser simplesmente uma espécie de desonestidade ou fraqueza moral. Muitas vezes, trata-se de uma questão de "cegueira cognitiva", processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio; ou mesmo de incompetência. Os que buscam ilusões acabam tendo muito sofrimento, pois, quando se deparam com a realidade, censuram-se e incriminam-se, às vezes por anos a fio.

REFLEXÕES SOBRE ESTA FÁBULA E O EVANGELHO:

"Os homens correm atrás dos bens terrestres como se os devessem guardar para sempre; mas aqui não há mais ilusão; eles se apercebem logo de que não agarraram senão uma sombra, e negligenciaram os únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que lhes são de proveito na morada celeste, os únicos que podem a ela lhes dar acesso." (ESE, cap. II, item 8, Boa Nova Editora)

" ... Nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele ... " (I Timóteo, 6:7.)

"NOSSAS AÇÕES SÃO COMO OS MOTES (PROVÉRBIOS): CADA UM ENTENDE COMO QUER."
 - LA ROCHEFOUCAULD

HAMMED



* Texto retirado do livro "La Fontaine e o comportamento humano".

Boa leitura

Raphael Francis Nunes

* almas livres, corações livres ... sem limites