O ser e a dor
Nem tudo
na vida é do modo que a gente espera que seja. Os momentos bons vêem e
acontecem nos deixando satisfeitos quanto da nossa existência. Com as fases
boas acontecendo, pedimos todos os dias “que assim seja por muito tempo”, até
que chega um dia; a mudança.
Vejo que é
muito comum as pessoas buscarem algum tipo de conforto, seja ele de qualquer
origem.
- Eu quero
um emprego que possa pagar minhas contas, alimentação, sem ter ficar devendo
nada para ninguém.
Para
algumas pessoas é cômodo ganhar “x” de salário por mês, mas não se dão conta
que poderiam estar ganhando muito mais se o conforto não a tivesse cegando.
Muitas vezes estão tão cegas que nem uma mudança é capaz de tirar a venda que
lhe tapa os olhos. Claro, que não se aplica ao todo, justamente porque tem
pessoas que não tem condições para um bom salário, mas e aquelas que têm
capacidade, mas não usufruem?
Quando a
mudança ocorre, traz ao indivíduo muito desconforto que por efeito resulta em
dor, revolta, entre outros sentimentos dependendo da situação em que se
encontra. Seguida também da frustração daquilo que não havia programado para
si. Com a dor se instalando interiormente no corpo físico e no psíquico, as
lembranças vêm à tona vivenciando e levando o indivíduo a um estado de
perturbação e o difícil esquecimento. Logo a dor se transforma em escuridão, é
uma fase escura do individuo que ele mesmo cria.
E quantas
vezes o ser humano não ficou em completa escuridão?
A dor que
nos deixa em escuridão total, é a mesma que disciplina a pessoa, tanto no
sentido de caráter, quanto no espiritual.
Se a dor
nos disciplina, porque passamos tanto tempo com ela na escuridão que nós
próprios criamos?
Dependendo
de como encaramos cada situação, alcançamos a luz do ser em uma base de tempo
menor que o previsto*. Quando saímos desta sintonia, se consegue enxergar com
bastante clareza o tempo perdido.
Passam-se
meses e meses, relembrando por exemplo de uma amor mau-sucedido. Enquanto
reclamamos, pensando no acontecido, as oportunidades vão passando. Um emprego
que não deu certo, o chefe que nos demitiu injustamente. Ficamos tempos e
tempos focados apenas naquilo que nos fez sentir mal. Até que certo dia,
decidimos crescer um pouco e esquecer, e levar adiante este imenso cenário da
vida. Recomeçamos tudo outra vez, um novo namoro, conseguimos um novo emprego,
e tudo parece que vai dando certo. Acabamos sendo mais cautelosos, tanto
conosco quanto com os outros ao redor. Quando vamos ao ponto do recomeço, a
venda que antes cegava paira no ar, e assim enxergamos qual foi o erro que
culminou na falha passada. Passa-se a um estágio mais seguro de si mesmo, até a
próxima mudança.
Pensa-se
da seguinte forma:
“Meu Deus!
Quanto tempo eu perdi!”
Ou
“Eu
poderia ter sido feliz mais cedo, senão deixasse a cegueira tomar conta
completamente de mim.”
*Muitas
vezes imaginamos que a dor não irá cessar, ou mesmo damos uma previsão de
quando irá acabar. Como se fosse possível programar sentimentos, sentimento é
algo o qual não se programa, não se vigia. A surpresa vem, quando descobrimos
que o tempo é muito menor daquele que tínhamos imaginado para o fim do
sofrimento.
Quem será
que teria mais êxito na presidência de uma empresa? Um rapaz que foi herdeiro
de seu pai e por isto ganhou a empresa de mão beijada sendo assim o dono e
presidente, ou um homem não importando idade, que trabalhou muitos anos, que já
demitido devido algum resultado ruim, ou que já foi promovido e rebaixado de
cargo, mas que nunca parou de trabalhar, nunca desistiu. Sendo assim presidente
por merecimento e luta. Qual dos dois?
O segundo
homem. Devido suas lutas, vitórias e derrotas. Somente quando passamos por
certas situações aprendemos a lhe dar com elas. Somente a teoria não irá nos
ensinar, mas sim a sua prática. Um rapaz que nunca soube lidar com uma baixa,
uma crise no mercado, não saberia como agir em uma situação destas, enquanto o
rapaz que já tenha passado por situações parecidas se sairia melhor.
Muitas
vezes (quase sempre) aprendemos pela dor (parece um pouco sadomasoquismo, mas
se pensarmos bem não é). Aprendemos desde pequenos que se cairmos da bicicleta
irá nos machucar, apenas depois que caímos que processamos a informação
completamente. Pois antes de cair, criamos uma autoconfiança, uma ilusão de que
nunca vai acontecer com nós. Não pensamos que somos iguais e por assim,
propensos a mesma queda.
Pensa-se
da seguinte forma:
“Estas
coisas só acontecem com o vizinho”, sem ao menos pensar que o vizinho do nosso
vizinho é nós. (Divaldo Pereira Franco)
A dor é o
remédio amargo que leva a cura para a alma. O “ser” que fere seu orgulho uma
vez, irá pensar, repensar bem para não o feri-lo novamente. Pois somente aquele
que sente a dor sabe o que sente. E não por falarmos:
- Eu sofri
tanto! Senti tanta dor!
Que iremos
saber, sentir o que o outro sentiu.
Quanto
mais o grau entendimento (não é igual o conformismo) de uma pessoa, ela passará
menos tempo em sua escuridão.
Chega-se
às vezes até pensar que o tempo parou, quando somos nós que paramos. Enquanto
paralisamos nossas atividades, as horas e os dias não param. O que nos leva a
pensar desta maneira é também nosso egoísmo. Pelo fato de pensar que somente
existe a nossa dor. Sem a consciência que há e existem dores muitos maiores. E um
dia acordamos e reclamamos do tempo que não se recupera mais. Lembrando que não
existe tempo perdido, o tempo que se foi, é o mesmo que molda, calcula e
recalcula as atitudes a tomar, cria valores morais, faz o “ser” a sua
importância real.
Nunca se
deve desistir, se caímos uma vez é que a estratégia que usamos não é a certa. É
a partir deste ponto que devemos parar para arquitetar uma nova, plano b.
Muitas pessoas poderiam estar hoje em uma posição melhor da que estão, isto se
não fosse a preguiça de pensar em uma nova estratégia, mudar as regras e por em
prática sem medo de cair e com a cabeça erguida para as provas que a vida
impõe. A tênue linha entre sucesso e fracasso esta em uma corda chamada tentar.
E devemos manter o equilíbrio para sabermos ganhar, saber lhe dar com a vitória
e a maturidade para saber encarar a uma perda.
Muita Paz!
Raphael Francis Nunes
Frases soltas
Alguns pequenos pensamentos por hora e de momento
A vida como um todo, é um imenso
quebra-cabeça. Cada peça deste quebra-cabeça são feitas de momentos. E quando chegamos
ao final da vida, todas as peças se juntam formando uma imagem única. Existem pessoas
que não conseguiram montar este imenso e quase infinito quebra-cabeça. A imagem
que se forma depois de montada, dependerá de como você observava, ouvia,
sentia, e dizia que era a vida, céu ou inferno? Paraíso ou tormento?
"Então,
Então você acha que consegue distinguir
O paraíso do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?" Pink Floyd(Wish you were here)

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