segunda-feira, 2 de julho de 2012

Artigo IX


Felicidade

Estava vendo uma situação inusitada, de uma pessoa que se dizia ser “infeliz” pelo fato de ser solteira e seus relacionamentos não darem certo. Sempre que encontrava alguém que lhe interessava, era casado, namorando, ou queria ter apenas um encontro casual e mais nada. Esta pessoa tinha um trabalho que até lhe dava uma graninha boa. Morava com a família, e tinha praticamente uma vida estabilizada. Nenhuma doença de ordem, crônica ou física... Uma pessoa saudável. Ela nunca esteve totalmente sozinha, já namorou alguns rapazes com os quais não dera certo. Paixões muitas vezes dizimadas pelo ciúme alheio de uma das partes ou até mesmo por que não era para ser. Quando algo (seja lá o que for) não é para ser, não adianta insistir, pois não é, e não adianta.

Então a pessoa, que se diz “infeliz” por se sentir solitária na área afetiva, começa a fazer uma busca desesperadora com o objetivo final de encontrar um companheiro (a), daí começa a grande odisséia. Entrar em sites de relacionamentos, em chats na internet, fórum, baladas, como se fosse caçadores (as). É quando você entra em uma sala de bate-papo, em qualquer provedor e vê aqueles nicknames do tipo, “procuro namorada (o)”, “sozinho (a)”, “quero uma companheira (o)”, entre outros ao qual não me recordo agora. E ficam lá o dia inteiro marcando encontros e mais encontros, falando do azar que tem, contando sobre as relações que já vivenciou, e muitas vezes no final, acabam dando em nada. Parece um mercado aonde você esta negociando com a outra pessoa um compromisso, um afeto, uma atenção, sem ao menos conhecer a outra pessoa. Não que seja impossível realmente encontrar uma pessoa interessante na internet, pode até acontecer, mas na minha opinião acho que das pessoas que você tecla em salas de chat afim de conseguir um relacionamento ou algo parecido, 25% para menos, dão em alguma coisa, e os restante 75% acabam não dando em nada. Resultam em encontros frustados onde a pessoa acaba levando um “bolo”(quando é marcado encontro e a pessoa não vai, deixando a outra esperando), ou se tornam apenas um encontro casual, ou acabou chegando lá e a pessoa não era nada daquilo que pensava que era. Ai você encontra com aquelas pessoas que vivem reclamando da vida, sempre reclamando quando algo dá errado, para este tipo de pessoa é como se mundo tivesse contra ela, pois tudo é do contra e sempre a mesma esta correta. Ela quer que os outros ofereçam o que ela quer, mas tem nada para oferecer. Até estes dias estava analisando os chats, entrei em uma sala de 20 a 30 anos, depois entrei em uma de 30 a 40, e depois em uma de 50 anos para cima, e em todas estas salas que entrei constatei ali pessoas que entram apenas para passar o tempo sem nenhum objetivo, só para passar o tempo e conversar mesmo, ai tem as pessoas que procuram aventuras, encontros casuais, e as pessoas que entram procurando um relacionamento sério. Não podemos dizer realmente uma idade exata das pessoas que procuram por algo na internet, pois se fossemos fazer, iríamos encontrar pessoas de todas as idades, deveríamos pensar mais um pouco na gente, pois o que esta sendo colocado em jogo ali é sua própria felicidade, a pessoa mais certa para construir a sua própria felicidade é você mesmo e ninguém mais. Ninguém vai chegar com um cartãozinho para você com um endereço, um telefone, um nome, e falar “olha se você for neste local lá você vai achar a felicidade”, ninguém vai te trazer uma fórmula mágica para você ser feliz, ninguém vai dizer qual é o preço para ser feliz. Tem muitas pessoas que dizem que seriam felizes se achassem um malote cheio de dinheiro, ou se ganhassem o prêmio máximo da mega-sena, estas pessoas são iludidas com coisas que não levarão para toda vida com coisas que se queimam com fogo, coisas que passados anos estará enferrujado, coisas que depois de um tempo você esquecerá porque o homem já inventou outros melhores.

Quem já foi a uma feira para comprar somente frutas e verduras. Acho que provavelmente todo mundo já foi pelo menos uma vez, com a mãe, ou com pai. Você sempre compra as frutas que estão com a aparência mais bonita, e sempre tem aquela fruta, aquela verdura, que esta meio que passando da validade, ai o vendedor para conseguir vender passa aqueles plásticos para dar uma aparência mais bonita e não parecer que esta passada, e claro sempre alguém acaba comprando. O cliente após chegar em sua casa, vai usar aquela fruta que ele comprou com o plástico para colocar em alguma receita ou consumir e quando vê, vai reparar que a fruta já esta passada e vai jogar fora ou vai cortar a parte que não pode aproveitar, mas algum fim ele vai dar aquilo. E claro vai tomar mais cuidado da próxima vez que for escolher alguma fruta, ou verdura. Ai tem aquela pessoa que sempre vai as “baladas” para tentar ver se encontra o príncipe encantado ou a princesa da sua vida. Chega lá naqueles bailões da vida, aonde não tem muita luz (é sempre meio escurinho) e lá começa a sua caçada, até encontrar a princesa da sua vida, e já puxa para dançar, depois de tomar umas cervejas, 15 minutos depois ou até menos, já estão no maior amasso, no maior pega-pega. O individuo pensa “ah finalmente Deus ouviu minhas preces, encontrei com a mulher da minha vida, ela é linda, simpática, loira, alta, tem os olhos azuis mais lindos que já vi, nossa, e que sorriso, demorou, mas esta noite eu encontrei (...)” e o sujeito pensando que se “arregou”, “que saiu na vantagem”, e também quem é que quer ficar em desvantagem? Todo mundo quer sair tirando ao menos uma casquinha. O homem mais feliz do mundo pega a sua donzela e já vão para os finalmente, é que hoje em dia é mais prático, nada é mais como antigamente, não existe a parte de se conhecer, de ir conversar com a família, já começa do final para o começo, e leva a sua casa, ou algum hotel, motel e passam uma noitada juntos. O sujeito acorda pela manhã e se depara com uma mulher totalmente diferente daquela da noite passada e tem um susto;

“mas quem é você?”,
“nós nos conhecemos ontem à noite no bailão”, mulher fala toda mole
“eu vou colocar minha dentadura aqui para falar melhor”;
“mas você era loira!”;
“ah, que eu estava de peruca ontem”;
“você tinha os olhos azuis!”;
“era minha lente de contato”;
“mas você era alta!”;
“que eu estava de bota com salto alto”
“ah, não é possível! Eu deveria estar muito bêbado a hora que resolvi ficar com você”;

O sujeito da estória acima comprou aquele pepino com a capa de plástico, o plástico da moça eram todos os objetos que disfarçavam dela mesma. E o rapaz quando chegou em casa viu que não era aquilo que havia comprado, independente se a mulher era uma pessoa boa ou má, os olhos deste sujeito viram somente a parte física, não que ele deveria mesmo ficar com ela, obrigatoriamente, mas se iludiu pela beleza. Quando nos iludimos pela beleza de um ser, é a mesma coisa de quando no iludismos por alguma coisa material, por exemplo; “se eu comprar um carro novo serei mais feliz”, então ali o rapaz não a viu como um ser humano e sim como um objeto.  Saiu correndo pensando que encontrara a felicidade, mas viu que não era exatamente aquilo que ele queria, é porque estava escura a “balada”, “o bailão”.




“Muitas vezes por nos faltar a paciência, saímos correndo e acabamos tropeçando na primeira pedra do caminho. Justamente por estarmos apressados não vemos o que esta no chão e ao nosso redor. O caminho é o certo, é só seguir reto. Quando você chegar ao final lá estará à felicidade lhe esperando. E tem pessoas que correm para tentarem chegar mais rápido, cansam, descansam, depois continuam sempre neste ciclo correr, correr para chegar ao final, às vezes acabam adoecendo antes de chegar ao final e mesmo assim não estavam nem próximos do fim do caminho, nem na metade, estavam é sim muito distante ainda. É quando acabam se tocando que a felicidade não estava no final da estrada, estava ali ao lado, pois estavam tão apressados que não viam a paisagem que estava ao redor, nunca pensavam o que aquele cenário muito rico em beleza guardava de bom. Em muitos momentos de nossa vida a felicidade esta do nosso lado, esta tão perto, que, de tão perto, acabamos vendo ela longe.”


      Antes de reclamar de algo que deu errado, devemos fazer uma analise do problema. Primeiro ver o porquê deu errado, aceitar que de algum modo acabamos falhando, pois se estivesse certo, teria dado certo. Se procuras por alguma coisa que não consegue de jeito nenhum, pense um pouco mais antes de culpar o mundo, ou ir bater na porta de Deus para reclamar da vida. Será que você esta procurando no lugar certo? Será que é este o local certo mesmo? Muitas vezes procuramos no lugar errado, o que é um grande erro! Nos mesmos somos os criadores de nossos problemas atuais, não espere que os outros tenham algo para oferecer para você, tenha algo para oferecer, algo que seja apenas seu e que ninguém mais poderá ter. A solução é tão simples que de tão simples não sabemos qual. E não apenas analisar-mos o problema, mas, analisar-mos a “nós” também é importante. Não devemos sempre querer, mas também merecer. Uma coisa, a qual considero muito mais importante além destes pequenos detalhes os quais descrevi aqui, é a paciência, a calma. Devemos aprender a ter paciência, aprender a ter calma, aprender a esperar o tempo agir, aprender a deixar o tempo curar as feridas (as quais lhe ferem a alma), pois quando conseguimos compreender o tempo, conseguimos tempo para refletir e pensar em todas estas coisas que hoje vos escrevo.

Espero que o texto acima, sirva de reflexão a quem precise.

Raphael F. Nunes

Um comentário:

  1. E há tantas pessoas que precisam deste texto para se compor, uma vez que as palavras que você lançou Raphael Nunes, elas tende a se procriar para aqueles que realmente precisam. Usou um tema específico e bem presente no cotidiano da maior parte das pessoas. Então apaixonei-me pelo o seguinte trecho: "Não devemos sempre querer, mas também merecer. Uma coisa, a qual considero muito mais importante além destes pequenos detalhes os quais descrevi aqui, é a paciência, a calma. Devemos aprender a ter paciência, aprender a ter calma, aprender a esperar o tempo agir, aprender a deixar o tempo curar as feridas (as quais lhe ferem a alma), pois quando conseguimos compreender o tempo, conseguimos tempo para refletir e pensar em todas estas coisas que hoje vos escrevo." Ficou bem coloquial, de uma estrutura maravilhosa. Sempre e Sempre meus parabéns!

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